sábado, 23 de agosto de 2008

Governo ficou “Chimbôto”?!

Estas imagens de acidentes com os motociclistas e seus acompanhantes são gravadas todos os dias nas estradas públicas do País. Sem um regulamento próprio e adequado, o negócio de moto-taxis, que vem aumentando, tem permitido muita perda de vidas humanas, deixando outras fisicamente incapacitadas na força laboral produtiva.

As autoridades governativas que se mostram incapacitadas para pôr cobro à situação, já determinaram para que os chamados “motoqueiros” e seus acompanhantes utilizassem capacete de protecção. Dois prazos já foram dados, sem sucesso, razão pela qual vozes já dizem que as autoridades governativas e policiais são-tomenses ficaram reféns e “chimbôtos” dos motociclistas. Paralelamente, desafiaram o governo e não acatarem a decisão de os concentrar num local apropriado.

Uma terceira data para todos começarem a utilizar capacete foi tornada pública para 1 de Setembro. Toda a opinião pública que gosta de ver as decisões do Estado a funcionar fica à espera se a partir de 1 de Setembro os “motoqueiros” e seus acompanhantes possam estar munidos do respectivo instrumento de protecção da cabeça.

Os acidentes nas estradas são-tomenses, maioria dos quais, com motorizadas tem estado no centro de preocupação das autoridades sanitárias que já apelaram outras autoridades e aos próprios motoristas a reflectirem sobre a situação. O hospital Central Dr. Ayres Menezes testemunha vários números de acidentados que vêm dando entrada naquela unidade hospitalar.

No entanto, as autoridades de direito não se mostram preocupadas com a situação dos acidentes mortais que se poderia evitar muitos deles, se as medidas preventivas fossem decretadas e seguidas. O caso de capacete é uma dessas medidas preventivas que o governo deveria assumir com todas as consequências, porque o que está em causa são vidas humanas a flor da pele que famílias e o Estado perdem prematuramente.

As moto-taxis chegam a transportar uma senhora acompanhada de duas crianças. Os “motoqueiros” só querem dinheiro e nem se preocupam com as consequências, quando em caso de acidente estariam a pôr em perigo quatro vidas humanas.

A propósito, um leitor preocupado com esta situação pouco digna na gestão do país em termos de transportes dos cidadãos, ficou indignado com o prazo dado ultimamente pelos “motoqueiros” ao governo. Para aquele cidadão, que assina os seus comentários com um alegado pseudónimo, “Auateia”, essa situação se resume a uma palavra: “Corrupção”.

Eis o conteúdo do comentário na íntegra:

“Fico abismado com esse tema. Li e o reli, e, não compreendo como é que um Governo legítima aceita um desafio deste.

Fica a sensação de que os motociclistas constituem uma classe societária, cuja actividade encontra algum assento na nossa legislação. Ao aprazarem, dão a entender que têm legitimidade para o tal. Mas porquê tudo isto?

Durante algum tempo apercebi que os “motoqueiros” são empregados dos senhores “cuá daí cuá dalá”, ou seja, dos manda-chuvas da terra. Razão por que o governo tem mantido sereno e impávido vendo a cortina passar. E mais, os sucessivos governos são reféns daqueles senhores. Pois têm medo de nas próximas legislativas perder algum voto dos “motoqueiros”. Só assim se explica a leviandade e o atrevimento da tomada de posição por parte destes.

Entendo que ao invés do prazo dado pelos “motoqueiros”, cabia ao Estado dar aos mesmos o prazo para deixarem de exercer essa actividade lucrativa e ilegal, retirando-lhes por conseguinte a possibilidade de desafiar o governo. Quem cala, consente!

Os “motoqueiros” não podem, por motivo nenhum, exercer actividade que, desde os primórdios cabe aos taxistas. Ou será que o governo reconhece essa actividade como legal, face a ordem jurídica são-tomense?

No país organizado não se vê “motoqueiros” a exercer actividade lucrativa, como de táxis tratassem. Aliás, isto colide com os ditames da nossa ordem jurídica. A Direcção de Viação como organismo do Estado responsável por essa actividade, o que tem feito? Ou será que também estão aliados aos “motoqueiros”?

Os polícias de segurança pública, o que têm feito? Será que estão a fechar olhos perante essa ilegalidade? Ou será que, por detrás disto, também recebem a sua parte no final do dia? Enfim… pode-se colocar uma série de questões cujas respostas são dadas apenas por uma palavra – COR-RUPÇÃO – isto porque se não houvesse corruptos nos lugares de tomada de decisões contra esse desafio, tudo estaria resolvido com um simples despacho.

O silêncio das instituições responsáveis revela que, de facto, os responsáveis de muitos serviços são proprietários dessas motos. Fazem tudo para manter essa actividade por forma a retirar mais algum dos taxistas. Como que não bastasse os senhores são, na sua maioria, proprietários de muitas viaturas (táxis) que inunda o nosso parque automóvel que, por si, só mete algum “nojo”.

Basta dizer que actualmente todo tipo de viaturas faz táxi quer elas cumpram ou não o mínimo exigível em termos de segurança, pondo quase sempre em perigo a vida quer dos passageiros, bem assim, como dos transeuntes. Enfim… é o país de tanga que temos.

Mas até quando? Façam algum coisa que vale. Dê sinal de pretender organizar”.

Chimbôto na língua materna significa homem sem poder de decisão; é orientado a cem por cento por terceiros, não tem voz em nada, ou seja, é manobrado em quase tudo.

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