segunda-feira, 1 de setembro de 2008

“Já não existe desvio de gasóleo na EMAE”

Director-geral da EMAE (Empresa de Água e Electricidade) disse a “O Parvo” que põe a sua “cabeça a prémio” caso alguém consiga confirmar que ainda existem desvios de gasóleo nesta empresa. Júlio da Silva desmente desta forma as informações postas a circular de que o gasóleo para geradores continua a ser desviado.

O desmentido de Júlio Silva é como que tivesse dito que o desvio de combustível que rondava cerca de 40 mil litros por semana e que se detectou na sua empresa já terá ficado para história. Actualmente, ninguém de fora e nem os funcionários da empresa podem usufruir desse gasóleo, porque o sector de Logística e Aprovisionamento tem um contador que permite registar o número exacto de litros do produto que dá entrada na empresa.

Com sete grupos de geradores a funcionar, a empresa recebe 189 litros de gasóleo por semana da ENCO (Empresa Nacional de Combustíveis e Óleos).

Quanto a questão das dívidas crónicas, praticamente impagáveis, soube “O Parvo” que a EMAE deve actualmente a ENCO cerca de dez milhões de dólares. Trata-se de uma dívida que em Dezembro de 2007 atingiu mais de quatro milhões e meio de dólares e que até Agosto deste ano atingiu aproximadamente dez milhões de dólares.

Júlio Silva não desmente essa dívida com a ENCO. Aliás, por causa desta situação embaraçosa para os cofres da empresa fornecedora do combustível, ela vem suspendendo combustível a crédito várias vezes a EMAE. Quando se regista sucessivos “apagões” no país é derivado muitas vezes da suspensão de fornecimento de gasóleo a crédito à EMAE. Nos dias 20, 21 e 22 foi isso que estava a acontecer, porque a ENCO voltou a vedar portas àquela empresa, voltando a situação a normalizar-se por decisão do governo.

Falando ainda das dívidas, o director disse que tudo isso acontece porque o Estado é o maior devedor da EMAE. Ou seja, de Setembro do ano passado à presente data, o Estado deve 92 biliões de dobras a EMAE, o que não permite que a empresa possa satisfazer os seus compromissos.

Independentemente das dívidas com o combustível, a EMAE soma ainda outras com o Banco Internacional de São Tomé e Príncipe, BISTP (500 mil euros em 2006), Afriland Bank (um milhão de euros 2005) e COBISTP (volta de 200 mil euros em 2006). São empréstimos contraídos para a revisão da central hidroeléctrica do Contador e manutenção de seis grupos de geradores. Todos os meses, a EMAE honra os compromissos com os bancos num total mensal equivalente a dois biliões e setecentos milhões de dobras.

O problema da EMAE pode resumir-se a uma questão de gestão ainda deficiente dos seus recursos, quando se sabe que ela é uma e única empresa que fornece água e energia a todo o país e a preços altíssimos de consumo dos seus produtos. A empresa, em pouco mais de três anos, saiu de 16 mil clientes para 30 mil e com 241 trabalhadores, dos quais, 230 são efectivos e os restantes por contrato de seis meses renováveis.

O director-geral da EMAE desmente categoricamente que algumas avarias que têm acontecido nos grupos geradores são provocadas por esgotamento de óleo por negligência. Júlio Silva esclarece que não é possível que isso aconteça porque os geradores estão dotados de sensores que fazem desligá-los automaticamente, assim que o óleo dê sinais de esgotamento.

Dossier de desvios de gasóleo da EMAE

Refira-se que dossier dos desvios de gasóleo da EMAE foi compilado e entregue à Procuradoria-geral da República para efeitos processuais criminais há mais de um ano. Um dossier que, segundo informações avançadas naquela altura, constam nomes de muitos da alta hierarquia que beneficiavam do combustível remanescente daquela empresa.

O dossier criminal dos desvios de combustível se tiver pernas para andar, poderá passar pelos mesmos caminhos do processo do GGA (Gabinete de Gestão das Agudas) referente aos fundos do arroz doado pelo Japão. Os “grandes” safam-se, devendo responder, normalmente os “médios” e os “pequenos” implicados.

Uma fonte ligada ao processo GGA disse a “O Parvo” que até meados de Setembro o “caso GGA” deverá começar a chamar algumas pessoas para o banco dos réus. Ainda sem confirmação, trata-se de um julgamento que poderá levar meses para a sua conclusão, devido a complexidade de vários envolvimentos na gestão dos fundos do arroz, contabilizados em várias dezenas de biliões de dobras que não tiveram destinos esclarecidos.

Os juízes deste complicado processo se começarem a apertar em situações que possam envolver directamente os “grandes”, o governo de Rafael Branco correrá o risco de ir para casa. Porquê? O executivo poderá estar perante uma grande crise política forjada para baralhar tudo e todos, criando situações que poderão levar o tribunal e os processos à estaca zero.

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